sábado, 3 de novembro de 2018

CONTOS DA NECA MACHADO NO MUNDO ( LANÇAMENTO EM ZURIQUE-SUIÇA)


CRONICAS DA NECA MACHADO



O VESTIDO DE LUREX

 (Conto da Amazônia, na obra lançada em Zurique)


BIOGRAFIA



Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas, premiada em 2016 com classificação na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)




 O VESTIDO DE LUREX


         Década de setenta, como que saída de um musical.

 Parece que em sua cabeça à musica de “dancing days” ecoava, e ela nem tinha visto um musical, só tinha visto alguns capítulos de uma novela, onde a memória ainda relutante tentava trazer à tona imagens saudosistas, vistas em uma porcaria de tevê que precisava apanhar para mostras as imagens, e olha que ela acabou muito bom bril para colocar na ponta da antena para ver melhor.

Pela primeira vez que ela escutou canções internacionais, viajou, criou em sua mente um mundo só seu, rodopiava em seus saltos altos feito uma gazela, vestida com suas meias douradas em sandálias vermelhas, no meio de uma pista de discoteca barata nos cafundós do Juda, ela foi ao céu.

E olha que já se vão meio século!

Mas, o tal VESTIDO DE LUREX, ela jamais esqueceu.

Uma vizinha que tinha ido fazer ponto em Caiena, a motivou a ir com ela, fantasiou o outro lado do rio Oiapoque, que ela quase morreu do coração, a mulher contou tanta mentira que ela quase acreditou.

Disse que as crioulas não economizavam, que quando não queriam mais seus objetos, jogavam NOVOS nos lixeiros, e era só ir lá pegar, tinha de tudo, cama, até sapato...

E que os homens gostavam de brasileiras, porque eram mais carinhosas, e que pagavam muito bem em franco, e ela se entusiasmou, ainda tinha um corpo bom como disse a falsa amiga da onça.

Mas que era preciso andar bem vestida.

E a tal informou que tinham aberto uma nova boutique lá pelas bandas do centro comercial e que os novos modelos vindos da Europa eram vendidos bem baratinho. E ela meteu o martelo num pobre porquinho que guardava alguns trocados para comprar o TAL VESTIDO DE LUREX.

E quando chegou em frente da Loja, viajou mais uma vez.

Lá estava seu objeto de desejo, o tal vestido dourado de malha, com fios de ouro, meio matizado, que se ajustava no corpo direitinho disse a vendedora, querendo logo empurrar a tal preciosidade.

E ela comprou!

E em casa foi vestir o tal VESTIDO DE LUREX, para experimentar, porque ia usar em terras europeias quando atravessasse de catraia o rio Oiapoque.

E junto com o vestido, veio um sapato de salto alto, dourado, cheio de fivelas, que ela nem conseguia fechar, e nem sabia andar, e agora?

Tinha que treinar disse a falsa amiga, outra disse: mas, esse sapato e de caboca, e riu.

O vestido ela colocou, ficou apertado, aparecia a barriga, ela tinha gordura por todo lado, ele subia rápido, aparecia as calcinhas, e ela disse: quando eu for dançar vou ficar nua.....

Foi uma tarde de risadas, e de projetos para Caiena, onde iam dançar num Cabaré de um chinês.

E ela preocupada com o vestido, perguntava a amiga, e agora?

E a outra, não te preocupa, MANA te vira, de noite os velhos porres, só olham o dourado do vestido, nem vão perceber teu corpo.

E o sapato, nem sei andar, questionou, e ainda tinha as pernas tortas.


Eu heim!


Mas o tal VESTIDO DE LUREX FEZ EM CAIENA O MAIOR SUCESSO.






sexta-feira, 2 de novembro de 2018

NECA MACHADO NA ESPANHA, CONTEMPLANDO O MAR

IZABEL MACHADO, UMA VERDADEIRA MULHER DO AMAPÁ

NECA MACHADO - AMAZONIA

NECA MACHADO, 20 OBRAS NA EUROPA


NECA MACHADO NA “ANTOLOGIA DE POESIA BRASILEIRA CONTEMPORANEA 2018-LANÇAMENTO EM SÃO PAULO -06.10.2018- EDITORA LUSA – CHIADO”



NM

(Neca Machado)

BIOGRAFIA


Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas por 11 Países (Europa, Oceania, América do Sul) 2016, classificada  em 2016  na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, de novo em 2017, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, de novo em 2017. Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 20 obras lançadas em Portugal em 2016, 2017, e 2018.  Autora independente da Obra Mitos e Lendas da Amazônia, Estórias da Beira do Rio Amazonas, publicada em 02 edições em Portugal em 2017, edição limitada, Coautora na obra lusa, lançada em Lisboa em 09.09.2017, A Vida em Poesia 2, coautora em A Vida em Poesia 3- ano de 2018, coautora na obra Bilíngue inglês e português lançada em Zurique-2018 – Tributo ao Sertão, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)





Aconteceu em São Paulo no último dia 06 do corrente, o lançamento da MINHA 20ª obra coletiva de poemas na EUROPA, o livro vai ser lançado também em Portugal e distribuído pela Editora CHIADO, na Europa e África, onde possui filiais.


A antologia de poesia brasileira contemporânea da qual SOU CO AUTORA, integrou e selecionou 1200 (mil e duzentos) Poetas e Poetisas do Brasil. O lançamento foi em São Paulo no Teatro Gazeta em plena Avenida Paulista no coração da cidade mais cultural do Brasil, sendo um dos eventos mais importantes do ano de 2018 junto com a Bienal, e trouxe a São Paulo atores portugueses para lerem a poesia que encantou os presentes.

A ANTOLOGIA de poemas brasileiros contemporâneos “ ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CEU” foi uma seleção do CEO da Editora Chiado Gonçalo Martins que veio de Portugal para prestigiar o evento, além de interpretar poemas que emocionaram os presentes, a coordenação ficou sob a responsabilidade de Mayara Facchini e Vitória Scritori.

A coleção prazeres poéticos é composta de 03 tomos devido a grandiosidade da obra.

O encontro poético reuniu a sensibilidade de autores do Brasil todo que prestigiaram o evento em terras paulistas, indo realmente “além da Terra, além do céu.”


Eu NECA MACHADO com muita determinação, sai do estado do Amapá, extremo norte do Brasil, fronteira com a Guiana francesa, no meio do Mundo, literalmente, cortado pela linha do Equador, para ver uma obra da qual me orgulho imensamente e que agora soma ao meu acervo literário de 20 obras coletivas na EUROPA.

A poesia flui na alma,

A poesia inebria quando amamos o que produzimos,

A poesia integra e irmana,

A poesia se confunde entre mares,

A poesia ecoa salivares

Escritos com emoção.

SOU POETISA, SIM!

Escolhi escrever emoção,

Escolhi traduzir sentimentos em sonetos

Embebidos de paixão.

Cheios de coragem,

Sem medos

Sem lamentos

Sem esmolas.

E pela POESIA, me entrego,

Faço pontes entre Continentes.

E com a alma embebida da magia da Floresta,

Onde sou fruto, e essência nativa.

Cultivo minha emoção,

E perpetuo nas linhas

Minha aquarela poética.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

CRONICAS DA NECA MACHADO (NO MUNDO)



O TAXISTA E A PROSTITUTA



Na Parada de taxi em frente ao Mercado Central, ela bate no vidro do primeiro carro da fila, ele abre e ela pergunta, onde fica o Banco? 


E ele sem titubear com sua voz mansa e pausada, ar gentil e delicado, cabelos grisalhos, lembrando um belo avô à espera do abraço dos netos, responde: logo ali,
Você pode ir de pés, mas, eu terei o maior prazer em leva-la.
E ela se rende a sua educação nobre.
Entra faceira no taxi, e se imagina como uma verdadeira Dama, sem ser da noite porque era dia.
E a conversa inicia;
Ela diz a ele, você existe?
E ele ligeiro, sim, sou de carne e osso.
E ela de novo: não acredito, um Homem tão doce, tão gentil, tão amável nos dias de hoje... tão, tão....
E a conversa continua até a porta do banco.
Ela quer pagar,
 e ele: não quer receber,
Diz entre sorrisos: vou lhe esperar.
E ela surpresa, diz, mas, vou demorar, preciso fazer uma operação aqui.
E ele repete: vou lhe esperar, pode ir.
E ela de novo, mas, você não precisa trabalhar? Se esperar vou ter que pagar muito caro, 
E ele insiste, vá, vou lhe esperar.
Ela sorri, nunca ninguém a tinha tratado assim, feito uma verdadeira Dama, sem ser da noite.

Teve centenas de clientes, muitos nem conseguia lembrar do rosto, eram apenas parte de sua rotina, noutros ainda conservava alguns traços de gentileza, noutros tinha apenas revolta das atitudes, mas, era para ela, apenas um negócio que não merecia ficar na memória.

No banco demorou, pegou sua senha e pensou, vou demorar, é melhor avisar a ele.
E ao lado do carro, lhe disse entre sussurros, vou demorar.
E ele: já disse, vou espera-la.

E ela, apreensiva, com medo, mas, cautelosa, lembrou do ar generoso, de seus cabelos grisalhos, de sua voz mansa, sorriu entre dentes, e pensou, ele é diferente.
No banco terminou o que tinha vindo fazer.
Entrou no carro e disse, vou lhe pagar um café,
E ele: onde vamos Madame?
E ela só queria olhar o Rio Amazonas.
E ele mudou sua rotina, ela só queria caminhar na orla do rio, jogar algumas pedras no rio, fitar o São José da Pedra do Guindaste, talvez fazer uma promessa ou talvez um pedido de encontrar um verdadeiro amor.
E ele com sua voz mansa, a fitava e repetia, você é bonita!
E desceram do taxi para ver o rio.
Ele a tocou na mão e ela não fugiu.
E ele repetia, para onde vamos?
E foi aí, que ela entendeu: 
Ele só a queria para mais uma noite de prazer, porque já estava escurecendo.
E como ele tinha perdido a tarde a esperando, ela tinha que retribuir.
Disse com um sorriso amarelo: vá a um motel,

E ele disse: Não tenho dinheiro para pagar algumas horas, porque não rodei.
E Ela, tão esperta, tão vivida na noite, “caiu na conversa do Taxista” que só queria uma noite de prazer.

E percebeu que sua docilidade era apenas uma estratégia, os dois eram iguais.
Quantas vezes ela teve que fingir prazer?
E ele a tinha superado.
Mas, os dois na essência eram absolutamente iguais!
E na cama ele nem foi gentil!
Nem a satisfez,
Teve outros melhores.
Nem lhe disse poesias
E nem lhe deixou uma Rosa.


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

CRONICAS ( LEMBRANÇAS AMARGAS DE PUTAS VELHAS"


PUTAS VELHAS -MEMÓRIAS

CRONICAS DA NECA MACHADO



REVOLTA DE UMA PUTA POBRE!

(Mulheres que se VALORIZAM, não gostam de chocolate, nem de flores, gostam de diamantes... Puta)



BIOGRAFIA

Neca Machado (Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas, premiada em 2016 com classificação na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 10 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Foto-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)

*LEMBRANÇAS....

"A forma como defino o luxo não é o tecido ou a fibra ou a quantidade de detalhes em ouro na peça... Essa é uma definição antiga. Para mim, luxo tem a ver com agradar a si mesmo e não se vestir para os outros".(Marc Jacobs
        

  Sentada na antessala do Instituto de Oncologia onde foi levada por   “pena “ de um cliente que a ajudou a tirar seu título de residente na Europa, ELA (   ) talvez, nem se lamentasse do que viveu ou passou, estava na Europa, sonho de consumo da maioria das Prostitutas jovens do mundo todo, ficou por lá mais de 10 anos, enfrentando muito frio e hostilidades, e ela, agora tinha até o Cartão do Utente, sim, abriu um belo sorriso, era seu plano de saúde gratuito no exterior, o governo permitiu através de uma Lei que os portadores de câncer, tivessem direito a tratamento sem pagar nada, e ela se orgulhou, não teria que ser humilhada na fila do SUS, e nem teria que partir para a briga com outras companheiras por apenas uma consulta, sem remédios, NAS MADRUGADAS INSEGURAS, da “merda de onde nasceu, repetia REVOLTADA.”

E ELA (  ) ainda adquiriu alguns hábitos da Europa, mesmo no câncer, não se abateria, continuaria a ter o nariz empinado, e dizia: na Europa é obrigação “ser arrogante” e fez um leve sinal com a boca, de pura satisfação apesar da morte na porta, vou morrer na Europa, podes crer!



Cutucou a prostituta do lado – “Bicha te comporta” aqui eles olham tudo, e tu sabes, nós já somos a diferença, riu entre um sorriso amarelo e a ansiedade de saber como estavam suas plaquetas, e olha que já tinha visto a maioria ir embora; quando começou o tratamento tinham várias ao seu lado, agora eram somente as duas, e amanhã outras viriam “contaminadas”, para apenas protelar um pouquinho, porque, repetia: “câncer é sentença de morte, não chora.”

Tentava segurar as lagrimas...

E para não perder o costume de falar da vida dos outros, apontou o dedo mindinho para o outro lado e disse: “está vendo aquela ali, o cabelo já caiu, tá de peruca...”
E lembrou:

DAS RUAS MAIS CARAS DO MUNDO, QUE CONHECEU, SOMENTE DO LADO DE FORA.... NUNCA ENTROU, NÃO TINHA DINHEIRO.

“Bicha quando cheguei aqui, quase enlouqueci.
Meu pé nem cabia num salto alto que comprei numa loja de segunda mão, mas, forcei tanto que ele cedeu, riu de novo.
Sempre amei passar nas ruas mais caras, e olha, que conheci, meio mundo.

PARIS

Em PARIS, há PARIS, fui milhares de vezes a Champs Elysées, e me vesti de “verdadeiro luxo”, segurei as bolsas mais caras, usei os melhores diamantes, calcei os sapatos mais sofisticados, e os casacos? Há os casacos, eu aprendi a combinar, bota, bolsa e casaco, UI! E ainda tinha os perfumes, sempre que eu passava em uma loja, tinha um vendedor sorrindo sarcasticamente, e me passava um pouquinho na mão, nunca tive realmente um dinheiro para comprar um vidro inteiro, mas aprendi a ir as lojas para me perfumar de graça, eles dão um pouquinho.
 E um dia de tanto sonhar no banco da praça, que quase morri de frio, e um segurança até pensou em me levar para dentro de uma loja da PRADA, mas, como não podia, lá voltei de metro para a espelunca que morava.

          Bicha tu tens que falar um pouquinho de inglês, francês, italiano, esquece o português por favor, aqui até faxineiro fala inglês.
“Um estudo feito pela Cushman & Wakefield, chamado Main Street Across the World, revelou que a rua mais cara este ano é nenhuma outra senão a 5th Avenue, uma das mais famosas avenidas da Big Apple. “



QUINTA AVENIDA- 5TH AVENUE – BIG APPLE

          Um dia sai com um caminhoneiro norte americano, e perguntei qual a rua mais cara de lá e ele me disse: 5ª AVENIDA.

Fifth Avenue ou 5th Avenue (em português5ª Avenida) é uma avenida extremamente movimentada de Manhattan, em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Vai desde a rua Norte da praça Washington Square Park/Waverly Place(6th Street)em Midtown até a 143rd Street/Harlen River Drive, Harlem e devido às propriedades caras de particulares e mansões históricas que possui em toda a sua extensão, é um símbolo de riqueza de Nova Iorque. É uma das melhores ruas para fazer compras no mundo, e também uma das mais caras ruas do mundo. Foi fundada por Joseph Winston Herbert Hopkins, e é a avenida que divide as ruas do leste e do oeste de Manhattan, bem como o ponto número zero para os números das ruas (que aumentam em ambas as direções quando se afasta da Fifth Avenue).


E EU voltei a sonhar, “bicha sonho não tem preço.”

Eu posso sonhar.
No sonho EU POSSO TUDO.
Estou na 5ª Avenida, sentindo o cheiro da APPLE, e gastando em dólares.

“MULHERES QUE SE PREZAM, NÃO GOSTAM DE FLORES, NEM DE CHOCOLATES.
GOSTAM DE DIAMANTES...” ( revolta de uma Puta pobre)




FATO
Um dia um velho, nojento, com cheiro de podridão, queria muito meus beijos, e EU enojada, só queria ir embora dali, mas ele ainda tentou de todas as formas ser gentil, e tirou do bolso, um pedaço de chocolate, aí, eu me revoltei mais uma vez, e pensei entre deixa-lo sozinho, e ganhar uns parcos trocados, aguenta-lo, infelizmente, mas o que EU queria realmente, era um simples anel de DIAMANTE. Se não fosse, apenas de ouro já servia.

Um dia quase fiquei louca ao ver um carro de ouro, sim, não é mentira, era um carro de ouro que parou em Paris, era de um Sheik, e EU ENLOUQUECI, meu Deus, um carro de ouro, cruz credo, é muito dinheiro, e olha que vi o lançamento de um carro do Batman, que eu só tinha visto em desenho animado as portas de abriam para cima, e eu feito criança, dancei na rua de felicidade, é a EUROPA, aqui se vê de TUDO.

“Quando se pensa em luxo, alguns lugares do mundo vêm à mente: Paris, Milão e até mesmo Nova York. Mas, ainda dentro de cada uma dessas cidades, algumas ruas se destacam por serem as mais luxuosas do globo. 
Um estudo feito pela Cushman & Wakefield, chamado Main Street Across the World, revelou que a rua mais cara este ano é nenhuma outra senão a 5th Avenue, uma das mais famosas avenidas da Big Apple. 
Além de conter alguns dos nomes de maior reconhecimento da moda, a avenida também é marcada por abrigar os maiores milionários de Manhattan. O preço do metro quadrado? Nada menos que US$3.500,00. 
Curiosamente, a segunda posição fica com a Causeway Bay, em Hong Kong, com uma renda de US$2.399 por metro quadrado, bem acima dos US$1.372 cobrados em uma das ruas mais conhecidas do planeta, a Champs Elysées, em Paris. 
A lista com as dez primeiras posições do estudo você confere abaixo:
1.     5th Avenue, Nova York
2. Causeway Bay, Hong Kong
3. Champs Elysées, Paris
4. New Bond Street, Londres
5. Via Montenapoleone, Milão
6. Pitt Street Mall, Sydney
7. Bahnhofstrasse, Zurique
8. The Ginza, Tóquio
9. Myeongdong, Seul
10. Kohlmarkt, Viena”



          E o microfone repetiu seu nome para mais uma sessão de quimioterapia.

E na despedida, ELA, altiva, “arrogante”, disse entre um sorriso sarcástico: talvez seja um ADEUS
Amanhã talvez não estarei mais em uma outra sessão.

MAS, AMO A EUROPA. EUROPA É EUROPA.
Beijos, te cuida.




terça-feira, 30 de outubro de 2018

CONTOS DA NECA MACHADO- AMAZONIA (NO MUNDO)





CONTOS DA BEIRA DO RIO AMAZONAS
(NO MUNDO)




OS ENCANTOS DO POÇO DO MATO





A lata de manteiga bem ariada, é instrumento de trabalho de Nega Piedade, rebolando as cadeiras ela desce preguiçosa e com ares de princesa de ébano as ladeiras que circundam o entorno do POÇO DO MATO, cantarola sem letra uma canção indecifrável aos ouvidos dos mortais.



Ela retira com cuidado os cipós que atrapalham seu caminho e segue sorrateira como uma cobra a dar o bote. No lado esquerdo um pedaço de pano no ombro, puído pelo tempo e no braço direito a famosa lata de manteiga que serviria para levar o liquido precioso para os patrões degustarem após a ceia matinal e para ajudar nos afazeres domésticos.



Negra Piedade brilha na sua cor lustrada pelos raios dourados do sol que banham aquela manhã, e ela num misto de magia faz parte de uma aquarela. O POÇO DO MATO tornou-se inatingível, distante, e a negra no viço da idade não percebe, o canto do pássaro é sua companhia, e a caminhada é longa, ela levanta a blusa, mostra seus seios rijos ao sol e enxuga o suor da testa.

Ao abrir os olhos o POÇO DO MATO surge como por encanto a sua frente e suas águas jorram como faíscas prateadas lavando o céu.

Piedade é só alegria, suas companheiras não apareceram e ela agradece por não ter que dividir espaço com ninguém em busca da água. A negra furtiva e exausta da caminhada observa se alguém se aproxima, seu suor é forte nas entranhas, seu cabelo carapinha, e os calos nos pés são esquecidos por um momento e ela se entrega aos sonhos, sentada ao redor do POÇO DO MATO encantado, dos Campos do Laguinho.



O Moço branco de camisa engomada, perfume francês estende-lhe suas mãos, e Piedade não recusa seu convite, levanta assanhada, arruma os cabelos, ensaia seu sorriso mais branco, balança as cadeiras, empina os seios num frenesi e exclama: sou toda sua Sinhô!

O moço ergue-a do solo, levita com ela naquele cenário e Piedade emudece, os pássaros continuam a cantar, as arvores deslizam suavemente ao balançar do vento e a brisa que sopra não a desperta de seu sonho irreal.





O POÇO DO MATO é a única testemunha da Negra Piedade e cúmplice em seu prazer carnal. As horas são intermináveis e preocupam os seus patrões, seus conhecidos e os vizinhos da negra Piedade.



Escurece, a Rasga Mortalha solta seu grito ensurdecedor, o céu tem muitas estrelas, o vento é frio e o Poço do Mato assustador, negra Piedade não voltou, os moleques correm com lamparinas pelo mato, cachorros servem de companhia a procura de negra Piedade, e nem sinal dela. A noticia se espalhou, o seu sumiço é comentado em todas as esquinas, e em todos os bairros, a população que mora na Favela e no Elesbão ficam estarrecidos.



 As lavadeiras e as carregadeiras de água junto com as moças virgens são proibidas de irem ao Poço do Mato sozinhas.



Por que?



Negra Piedade foi ENCANTADA no Poço do Mato dos Campos do Laguinho.





“Olha sinhô,

Olha sinhô

No poço do Mato

Essa Negra se encantou...”












ARCAISMOS DO LAGUINHO

Laguinho é meu lugar...

Matéria publicada no caderno de cultura do Jornal Diário do Amapá em: 25 de fevereiro de 2003.





O Bairro do Laguinho é um recanto primoroso do Amapá, possui figuras expressivas no âmbito cultural, folclóricas, boemias, caricatas, anônimas, enfim...

O Laguinho se imortalizou por falar de poesia, sem o compromisso formal da escrita. No Laguinho encontramos o negro soberbo da sua cor, o poeta que cria trovas ao acaso, o boêmio que amanhece fora de casa, e ainda na rua interpreta poemas criados na noite anterior debruçado sobre uma cadeira de um bar qualquer.



Arcaísmos do Laguinho é a rebusca por palavras em desuso, antigas, antiquadas... Falar de um Pitisqueiro que guardava preciosidades em suas gavetas de puro mogno, e que o verniz não saiu com o tempo, é salutar para a memória, abicorar  passarinho no Poço do Mato, sem ser incomodado por horas a fio, quieto, calado, feito uma estatua, quase morto... Desmintir o pé numa pelada nos campos do Kouro e levar para a famosa puxadeira Maria Cunha, Sacaca, Crioulo Branco, ou outros famosos que davam jeito na rasgadura do pé com a rapidez de um mágico.



Ataia, ataia... Os caminhos sem demora para se chegar aos objetivos propostos, ir na retrete e deixar a porta aberta era mania de todo mundo, só fechavam a porta quando alguém aparecia de repente.

Alguém estava Cuira para saber das ultimas novidades que as fofocas espalhavam, tiriça curtida depois de um bom gole de açaí amassado pelas mãos da Tia Geralda, a canela de um moleque magro, intanguido, tuira de não tomar banho, ou quando tomava era pela metade...

A cabeça de prego que trazia doenças e ficava nas valas empossadas ao lado, era um perigo diziam as velhas amas.



Menino corre da frente dessa cintina, gritava a mãe de vez em quando, Eré, Eré para mandar embora os inconvenientes, rodilha quebra com facilidade, cuidado! Só como paçoca feita em mufari (pilão). O Laguinho será sempre um lugar de saudade, aconchego e muitos amigos...