quarta-feira, 7 de novembro de 2018

CONTOS DA NECA MACHADO (AMAZONIA) NO MUNDO




CONTOS DA BEIRA DO RIO AMAZONAS
(NO MUNDO)




OS ENCANTOS DO POÇO DO MATO





A lata de manteiga bem ariada, é instrumento de trabalho de Nega Piedade, rebolando as cadeiras ela desce preguiçosa e com ares de princesa de ébano as ladeiras que circundam o entorno do POÇO DO MATO, cantarola sem letra uma canção indecifrável aos ouvidos dos mortais.



Ela retira com cuidado os cipós que atrapalham seu caminho e segue sorrateira como uma cobra a dar o bote. No lado esquerdo um pedaço de pano no ombro, puído pelo tempo e no braço direito a famosa lata de manteiga que serviria para levar o liquido precioso para os patrões degustarem após a ceia matinal e para ajudar nos afazeres domésticos.



Negra Piedade brilha na sua cor lustrada pelos raios dourados do sol que banham aquela manhã, e ela num misto de magia faz parte de uma aquarela. O POÇO DO MATO tornou-se inatingível, distante, e a negra no viço da idade não percebe, o canto do pássaro é sua companhia, e a caminhada é longa, ela levanta a blusa, mostra seus seios rijos ao sol e enxuga o suor da testa.

Ao abrir os olhos o POÇO DO MATO surge como por encanto a sua frente e suas águas jorram como faíscas prateadas lavando o céu.

Piedade é só alegria, suas companheiras não apareceram e ela agradece por não ter que dividir espaço com ninguém em busca da água. A negra furtiva e exausta da caminhada observa se alguém se aproxima, seu suor é forte nas entranhas, seu cabelo carapinha, e os calos nos pés são esquecidos por um momento e ela se entrega aos sonhos, sentada ao redor do POÇO DO MATO encantado, dos Campos do Laguinho.



O Moço branco de camisa engomada, perfume francês estende-lhe suas mãos, e Piedade não recusa seu convite, levanta assanhada, arruma os cabelos, ensaia seu sorriso mais branco, balança as cadeiras, empina os seios num frenesi e exclama: sou toda sua Sinhô!

O moço ergue-a do solo, levita com ela naquele cenário e Piedade emudece, os pássaros continuam a cantar, as arvores deslizam suavemente ao balançar do vento e a brisa que sopra não a desperta de seu sonho irreal.





O POÇO DO MATO é a única testemunha da Negra Piedade e cúmplice em seu prazer carnal. As horas são intermináveis e preocupam os seus patrões, seus conhecidos e os vizinhos da negra Piedade.



Escurece, a Rasga Mortalha solta seu grito ensurdecedor, o céu tem muitas estrelas, o vento é frio e o Poço do Mato assustador, negra Piedade não voltou, os moleques correm com lamparinas pelo mato, cachorros servem de companhia a procura de negra Piedade, e nem sinal dela. A noticia se espalhou, o seu sumiço é comentado em todas as esquinas, e em todos os bairros, a população que mora na Favela e no Elesbão ficam estarrecidos.



 As lavadeiras e as carregadeiras de água junto com as moças virgens são proibidas de irem ao Poço do Mato sozinhas.



Por que?



Negra Piedade foi ENCANTADA no Poço do Mato dos Campos do Laguinho.





“Olha sinhô,

Olha sinhô

No poço do Mato

Essa Negra se encantou...”












ARCAISMOS DO LAGUINHO

Laguinho é meu lugar...

Matéria publicada no caderno de cultura do Jornal Diário do Amapá em: 25 de fevereiro de 2003.





O Bairro do Laguinho é um recanto primoroso do Amapá, possui figuras expressivas no âmbito cultural, folclóricas, boemias, caricatas, anônimas, enfim...

O Laguinho se imortalizou por falar de poesia, sem o compromisso formal da escrita. No Laguinho encontramos o negro soberbo da sua cor, o poeta que cria trovas ao acaso, o boêmio que amanhece fora de casa, e ainda na rua interpreta poemas criados na noite anterior debruçado sobre uma cadeira de um bar qualquer.



Arcaísmos do Laguinho é a rebusca por palavras em desuso, antigas, antiquadas... Falar de um Pitisqueiro que guardava preciosidades em suas gavetas de puro mogno, e que o verniz não saiu com o tempo, é salutar para a memória, abicorar  passarinho no Poço do Mato, sem ser incomodado por horas a fio, quieto, calado, feito uma estatua, quase morto... Desmintir o pé numa pelada nos campos do Kouro e levar para a famosa puxadeira Maria Cunha, Sacaca, Crioulo Branco, ou outros famosos que davam jeito na rasgadura do pé com a rapidez de um mágico.



Ataia, ataia... Os caminhos sem demora para se chegar aos objetivos propostos, ir na retrete e deixar a porta aberta era mania de todo mundo, só fechavam a porta quando alguém aparecia de repente.

Alguém estava Cuira para saber das ultimas novidades que as fofocas espalhavam, tiriça curtida depois de um bom gole de açaí amassado pelas mãos da Tia Geralda, a canela de um moleque magro, intanguido, tuira de não tomar banho, ou quando tomava era pela metade...

A cabeça de prego que trazia doenças e ficava nas valas empossadas ao lado, era um perigo diziam as velhas amas.



Menino corre da frente dessa cintina, gritava a mãe de vez em quando, Eré, Eré para mandar embora os inconvenientes, rodilha quebra com facilidade, cuidado! Só como paçoca feita em mufari (pilão). O Laguinho será sempre um lugar de saudade, aconchego e muitos amigos...




terça-feira, 6 de novembro de 2018

NECA MACHADO - VIAJAR É SER TESTEMUNHA DOS ENCANTOS DO MUNDO-ESPANHA

CONTOS DA NECA MACHADO (AMAZONIA) NO MUNDO




SOU UMA AMAZÔNIDA!








HOJE! EU VIM CAMINHAR SOBRE O RIO AMAZONAS.

(Fiz desse RIO a minha Rua rumo ao Horizonte...)




Neca Machado
(Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas, premiada em 2016 com classificação na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, de novo em 2017, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, e de novo em 2017 Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 16 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, coautora da obra lusa lançada em Lisboa, A Vida em Poesia II, e 01 lançada em Genebra-Suíça em português e inglês em 28.04.2018, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)









HOJE! EU VIM CAMINHAR SOBRE O RIO AMAZONAS.





HOJE! (   )



EU abri minha janela para o Rio,

E cheguei na linha do horizonte.



Vim ver pássaros nativos bailando sobre açaizeiros,

Vim brincar com as nuvens que se unem a Maré.

E se confundem.

Vim sentir a nevoa das aguas barrentas do maior rio de agua doce do mundo,



O Rio Amazonas,



Batendo em meu rosto afro,

E sorri de satisfação.



Hoje EU...



 Só quero a liberdade de caminhar sobre a AMAZONIA.

Sem pressa, sem medo, sem RUMO...





HOJE vim caminhar, sobre o arco íris da Amazônia, multicor...

Vim escutar sinfonias de pássaros,

Vim me embrenhar sobre caminhos dentro do Rio.



Parei em ilhas verdejantes, subi em catraias e rabetas....

Assoviei para seres inimagináveis, e

Pedi a benção da Mãe d’água,

Escutei ao longe o canto do Uirapuru,

Sim! Era ele sim,

Veio me saudar.



Vi Iara, Matinta Pereira...

Vi ao longe um Boto...

E ele se transportou até minha janela sobre o Rio.



Mas, para que? Quero pés, se tenho asas? (Frida Kalo)



E com elas me embrenhei de novo na mata.



Catei um fruto de Cupuaçu, polpudo, comi sem pressa,

Achei Taperebás, não tinham bichos,

Amei a cor de cobre dos Buritis

Que teimavam em navegar nas aguas barrentas deste Rio...

E descobri no meio das Aningueiras, a temida Cobra Verde...



E de novo coloquei minhas asas e fui para as copas dos açaizeiros

Nem precisei de Peconha.

E a cor viva roxa dos açaís na minha boca.

E o purpura da emoção no meu coração, sem TI....



HOJE,



 Há,

hoje, remei contra a Maré do Rio Amazonas...

E ELE (Rio) tão calmo, nem se irritou com minha presença.

Me cobriu de orvalho serenado de poesias caboclas...



E EU só queria abrir uma nova janela para o infinito...(TOM)



E Vim caminhar SOLITÁRIA sobre este manto do pulmão do mundo.







Hoje EU...



 Só quero a liberdade de caminhar sobre a AMAZONIA.

E perpetuar minha lembrança.

Mas, não morrerei de saudade.















O CABOCLO DA AMAZONIA É UM FORTE



SOU UMA AMAZÔNIDA!



HOJE! EU VIM CAMINHAR SOBRE O RIO AMAZONAS.

(Fiz desse RIO a minha Rua rumo ao Horizonte...)




Neca Machado
(Ativista Cultural, altruísta que preserva os sabores e saberes da Amazônia, através dos Mitos e Lendas da Beira do Rio Amazonas no extremo norte do Brasil, é, Administradora Geral, Artista Plástica, Bacharel em Direito Ambiental, Especialista em Educação Profissional, Escritora de Mitos da Amazônia, fotografa com mais de 100 mil fotografias diversas, premiada em 2016 com classificação na obra brasileira “Cidades em tons de Cinza”, de novo em 2017, Concurso Urbs,  classificada com publicação de um poema na obra Nacional, “Sarau Brasil”, Novos Poetas de 2016, e de novo em 2017 Pesquisadora da Cultura Tucuju, Contista, Cronista, Poetisa, Coautora em 16 obras lançadas em Portugal em 2016 e 2017, coautora da obra lusa lançada em Lisboa, A Vida em Poesia II, e 01 lançada em Genebra-Suíça em português e inglês em 28.04.2018, Licenciada Plena em Pedagogia, Gastro-Jornalista, Blogueira com 25 blogs na web, 21 no Brasil e 04 em Portugal, Quituteira e designer em crochê.)
















O CABOCLO DA AMAZONIA É UM FORTE



O VERDADEIRO CABOCLO DA AMAZONIA ´´E “UM FORTE”



Ele se embrenha em noite de Lua cheia no rio revolto,

E faz deste Rio (Amazonas) sua RUA.

Enfrentando num combate desigual a força da natureza nortista, e sobrevive.

Que, em dias de inverno, chove torrencialmente tempestades,

Fazendo da Maré, um duelo.

E em dias de calor

Ele curte a pele como num deserto.

Deixando em seu rosto as marcas do Sol implacável.








O CABOCLO DA AMAZONIA É UM FORTE



O VERDADEIRO CABOCLO DA AMAZONIA ´´E “UM FORTE”



Balança em Açaizeiros, linhas...

Sim, são como linhas de rabiolas no céu de tão finos,

Que nunca se dobram ao vento,

Feito combate de cerol em época de Papagaio...

E quando tocam a Terra,

Ainda são mordidos por Jararacas...

E sobrevivem.

Para presentearem com um manjar dos deuses da floresta, turistas

Que nunca tomaram o AÇAÍ.





O CABOCLO DA AMAZONIA É UM FORTE



O VERDADEIRO CABOCLO DA AMAZONIA ´´E “UM FORTE





Extrai da Terra um dos mais exóticos e especial sabor do âmago

O TUCUPI, que mesmo com todo ácido contido em sua essência,

Embriaga, verdadeiramente embriaga quem descobre o TACACÁ,

E inebriado ainda sonha anestesiado pelo treme-treme do Jambu.





O CABOCLO DA AMAZONIA É UM FORTE



O VERDADEIRO CABOCLO DA AMAZONIA ´´E “UM FORTE



Mesmo com o Pixé de PITIÚ

Ele é responsável por um dos mais importantes fixadores de perfumes do MUNDO.

O PITIU DO TAMUATÁ.





O CABOCLO DA AMAZONIA É UM FORTE



O VERDADEIRO CABOCLO DA AMAZONIA ´´E “UM FORTE





Se banha com ervas

Gosta da magia e o encanto dos deuses da floresta,

É saliente,

Abicora,

Espreita...

É superior aos DOUTORES com seus conhecimentos empíricos.

Se cura sozinho.



E se orgulha de ter em seu solo

Os sabores, MELHORES DO MUNDO.





SAÚDE NO AMAPÁ, ATÉ UMA CRIANÇA FICOU INCOMODADA

NECA MACHADO - PASSEANDO DE TREM PELA ESPANHA